Culinária de Minas Gerais

Postado por Nailil em 16 julho, 2008

Minas Gerais talvez seja o Estado que concentra a maior diversidade de pratos, pois em cada região há uma comida típica diferente, com ingredientes encontrados com fartura no meio rural. Quase todos os pratos da cozinha mineira contam com legumes, frutos ou tubérculos nativos. Há dois pratos que se destacam, oferecidos nas mesas de todas as casas mineiras, principalmente no interior: o Angu, muitas vezes confundido com a Polenta do Sul mas que tem sua própria história, e o Feijão tropeiro.

Comida di Buteco

Comida di Buteco é considerado o maior evento gastronômico de Minas Gerais e um dos maiores do Brasil.

Foi criado em 1999 pelo gastrônomo Eduardo Maya e teve seu lançamento no ano de 2000 na cidade de Belo Horizonte.

Todos os anos entre de abril e maio é realizado a competição anual de bares que serve de pretexto para visitar diversos bares e botecos de BH todas as noite durante um mês em busca dos melhores petiscos ou tira-gostos, como dizem os mineiros. Alguns dos 40 melhores bares disputam em categorias como higiene, temperatura da cerveja, serviço e principalmente, o melhor tira-gosto.

Os vencedores são decididos não só pelos jurados mas também por votação popular.

Nacionalmente conhecida como a “capital nacional do boteco”, existem em Belo Horizonte cerca de 12.000 estabelecimentos, mais bares per capita do que qualquer outra grande cidade do Brasil. A culinária mineira é uma atração concomitante que acompanha bem a cerveja, o chope, o vinho ou a famosa cachaça mineira.

Veja também o site oficial e o mapa dos bares do festival.

Angu

Nos séculos coloniais, o sal só podia vir de Portugal. No fim do século XIX e início do século XX, o sal era taxado exorbitantemente. Com isso, o fubá de milho passou a ser servido sem o sal, somente com banha de porco, fubá de milho e água. O gosto ficou um pouco desagradável. Insosso (ou insonso, como se diz erradamente) ficou muito parecido com o “angu” dados aos porcos. Tal semelhança deu origem ao nome deste prato, nutritivo e saboroso, que serve de acompanhamento a pratos principais.

Angu é um prato típico da culinária brasileira preparado geralmente com fubá (farinha de milho). Nas regiões em que houve influência de imigrantes italianos, o angu passou a ser conhecido como polenta, prato italiano com receita praticamente igual. Além da farinha de milho, o angu pode ser preparado com farinha de mandioca, distinguindo-se assim do angu de fubá ou angu de milho

O nome angu vem da palavra “àgun” do idioma africano “fon” da África Ocidental, onde a palavra se referia a uma papa de inhame sem tempero. No entanto, desde 1498 os portugueses começaram a propagar o milho pela costa africana, começando na bacia do Congo. A palavra angu passou a ser usada no Brasil para papas feitas com farinha de mandioca ou de milho, as quais eram acompanhadas por miúdos de carne de vaca ou de porco. Com o tempo, a palavra angu passou a ser usada apenas para as papas feitas com fubá, enquanto as papas feitas de farinha de mandioca passaram a ser chamadas de pirão.

Em Minas Gerais e Rio de Janeiro, o angu preparado apenas com o fubá de milho e água, sem a adição de sal, e com consistência mais firme, é conhecido como “angu mineiro”. Quando preparado de forma mais cremosa, para ser misturado com miúdos de vaca e porcos na hora de consumo, é conhecido com “angu à baiana”. O preparo dos miúdos de vaca e porcos é bem semelhante ao sarapatel.

Na cidade do Rio de Janeiro, continuando a tradição das vendedoras de angu do século XIX, ficou famoso nas décadas de 1960 a 1980, o Angu do Gomes, uma rede de carrocinhas ambulantes que vendiam apenas o “angu à baiana”. Com preços populares, fazia sucesso nas noites e madrugadas da cidade. Havia carrocinhas na Praça Quinze de Novembro junto a Estação das Barcas, na praça do Lido no bairro de Copacabana e em frente ao estádio do Maracanã nos dias de jogo de futebol.

Na Bahia, faz-se outro tipo de angu.

Em São Tomé e Príncipe, na costa da África, faz-se o angu de banana.

Levado para a Europa pelos conquistadores da América, o milho acabou se incorporando a diversas culinárias da Europa, principalmente no norte da Itália, onde a polenta não pode faltar em nenhuma mesa. A imigração italiana trouxe para o Brasil a polenta, o fubá cozido na versão mais consistente do que o angu, que pode ser grelhado ou frito em pedaços.

Biscoito de Polvilho

Biscoito de polvilho é um prato típico da cozinha interiorana mineira. É feito à base de farinha de mandioca (polvilho). Muitas vezes é adicionado queijo (passando a se chamar biscoito de polvilho com queijo) Existem diversos tamanhos, desde pequenos e leves até grandes e duros.

Escondidinho

Escondidinho é um prato bastante popular nos estados brasileiros da Bahia e Minas Gerais e feito com carne-seca selecionada coberta com purê de aipim e queijo.

Gembê

Gembê é um prato muito comum no sudeste de Minas Gerais. É formado por uma mistura de sobras de alimentos cujo objetivo é aproveitá-las, sem ter que reaquecê-las individualmente. Por exemplo, caso num jantar sobre um pouco de arroz, feijão e carne, estas sobras são guardadas na geladeira e, no dia seguinte, estas são colocadas numa só panela, são misturadas até conseguir uma certa homogeneidade. Após este processo, a mistura é servida complementando outros alimentos preparados para aquela refeição.

No entanto, pode-se entender que o gembê originalmente era um preparado a base de vegetais refogados em gordura de porco. Em “O Cozinheiro Popular”, de 1916, há um Gembê de tia Xica que leva quiabos, maxixes, jilós, caruru-de-porco, ora-pro-nobis e pimenta malagueta. Servido com pirão de farinha de mandioca ou angu de fubá de milho.

Paçoca

A Paçoca é uma comida de origem indígena feita a base de farinha de mandioca e carne seca. No Nordeste do Brasil a paçoca é um prato típico e muito degustado durante os festejos juninos. Em Minas Gerais existe um evento anual chamado Festa Nacional da Paçoca em Bonito de Minas que festeja a paçoca tradicional feita de carne bovina. Em São Paulo, na cidade de Pilar do Sul, existe o Festival da Paçoca. No Paraná a paçoca faz parte da tradição culinária.

Pão de Queijo

O pão de queijo é uma receita típica dos estados brasileiros de Goiás e Minas Gerais. A sua origem é incerta, especula-se que a receita exista desde o século XVIII, mas tornou-se efetivamente popular no Brasil a partir da década de 1950.

Ingredientes principais:
Consiste basicamente em um biscoito de polvilho azedo ou doce acrescido de ovos, sal, leite, banha de porco, óleo vegetal e queijo de leite de vaca, de consistência macia e elástica. Empresas brasileiras fabricam e exportam pães de queijo congelados para a Europa, América Latina, EUA, Japão, entre outros lugares.

Há várias receitas diferentes, onde os ingredientes e o tipo do queijo variam muito, bem como o resultado final. Algumas usam polvilho doce, outras o azedo, ou mesmo ambos.

O pão de queijo é feito à base de polvilho de mandioca.

A gordura – banha de porco, óleo vegetal, manteiga ou margarina – funciona como um lubrificante molecular, contribuindo para a textura elástica da massa.

O ovo contribui com a cor e seu sabor.

O tipo de queijo varia de acordo com a preferência ou disponiblidade. Os mais utilizados são muçarela, parmesão, sendo os mais tradicionais o queijo minas curado e queijo minas padrão. O queijo dá o sabor típico do pão de queijo, daí seu nome.

Pão de queijo em outros países:
Na Colômbia, um produto muito similar ao pão de queijo, exceto pelo formato mais tradicional (achatado), é o “pan de bono” ou “pandebono”. Assim como o pão de queijo, o pandebono possui textura esponjosa, de baixa densidade, e que endurece em pouco tempo, características que se atribuem ao polvilho azedo, conhecido no país como almidón de yuca fermentado e que é obtido em um processo idêntico ao empregado no Brasil. O Paraguai e a província argentina das Missiones também possuem uma variação do pão de queijo, chamada de chipá, nome que também é utilizado no estado de Mato Grosso do Sul. A diferença da chipá para o pão de queijo é seu formato em “U”.

O Pastel de Angu

O pastel de angu é uma iguaria mineira da região de Itabirito,em que a massa original do pastel frito, de farinha de trigo, é substituída pela massa de angu, feita de fubá e água. O recheio mais curioso e tradicional dessa variedade de pastel é o guisado de umbigo de banana.

Pururuca

Pururuca é um petisco da comida caipira dos estados de Minas Gerais e São Paulo e consumido em outras regiões do Brasil.

O termo pururuca é de origem tupi e existe referência ao mesmo em “O Dialeto Caipira”, de Amadeu Amaral.

A palavra refere-se à pele de porco, que é desidratada e preparada, resultando em uma pele dura, que ao ser frita em óleo, se torna num delicioso petisco crocante.

O nome também é utilizado para descrever uma forma de preparo do porco assado, no qual a pele é conservada e depois é parcialmente frita com óleo quente despejado em cima.

Pé-de-Moleque

Pé-de-moleque é o nome pelo qual são chamados três tipos diferentes de doces tradicionais em diferentes regiões do Brasil. Nas regiões sul e sudeste, o pé-de-moleque é um doce bastante relacionado às culturas caipira e açoriana.

A fabricação tradicional do doce é através da mistura de amendoins torrados e moídos que são posteriormente misturados a uma rapadura previamente derretida. A mistura é lentamente batida em fogo brando até atingir o ponto prévio à cristalização e rapidamente a mistura deve ser distribuída sobre uma superfície lisa e fria de pedra. A utilização de um tacho de cobre é desejável. Depois de resfriado o doce adquire a consistência macia que é característica do processo tradicional por incorporar o óleo do próprio amendoim macerado. Alguns grãos inteiros podem ser acrescentados à mistura.

Tal processo artesanal foi posteriormente substituído por outros similares, mais simples, ao se misturar açúcar derretido aos amendoins torrados de modo a obter um pé-de-moleque bastante rígido (igualmente popular). Assim se pôde manufaturar o doce em maior escala mantendo um padrão industrial.

O pé-de-moleque tradicional ainda pode ser facilmente encontrado nas menores cidades do interior do país. Deve ser diferenciado de outros doces similares mas que não usam os mesmos ingredientes ou métodos tradicionais como a paçoca doce (que não é cozida), o gibi, o doce de leite com amendoim, o pé-de-moleque branco (que utiliza bicarbonato de sódio) etc.

A cidade de Piranguinho no sul do estado de Minas Gerais é famosa pela produção artesanal do tradicional pé-de-moleque mineiro.

Em “O Dialeto Caipira”, de Amadeu Amaral, há referência ao “pé-de-muleque”.

Em Portugal, este pé-de-moleque é conhecido como nogat.

Queijo Canastra

O queijo canastra é um tipo de queijo brasileiro, originário de Minas Gerais. De fabricação artesanal é um tipo de queijo minas (frescal) que, na região Centro-Oeste tem o nome de canastra. É produzido com o leite de vaca, tendo sabor diferenciado, obtido a partir dos pingos de água (soro) que escorrem do queijo ressecado com sal grosso, que são misturados ao leite da produção seguinte. Essa combinação dá sabor, textura e aroma ao queijo canastra.

Este tipo de queijo tem origem no século XVIII, sendo produzido apenas nos municípios de Bambuí, Medeiros, Piumhi, São Roque de Minas, Tapiraí e Vargem Bonita.

A tradição local afirma que o gado da região alimenta-se de um tipo de capim apenas ali existente, o que transmite ao queijo o seu paladar especial.

O Canastra pode ser consumido fresco ou curado, este último com uma consistência mais firme e um sabor mais acentuado.

Tutu de Feijão

O tutu de feijão, ou simplesmente tutu, é uma iguaria de feijão cozido e refogado, que é novamente refogado com pedaços de bacon frito, cebola e alho, e misturado com farinha de mandioca se for preto ou farinha de milho se for mulatinho. O feijão poderá ser passado no liquidificador antes de ser refogado, e então ficará com a consistência do angu de fubá.

É normalmente associado à culinária típica de Minas Gerais e cidades interioranas do Estado do Rio de Janeiro, principalmente quando é feito com feijão preto; mas é encontrado no estado de São Paulo, onde também é conhecido como Virado paulista e é feito com feijão mulatinho ou também com o feijão carioca.

O tutu de feijão acompanha as rotas dos antigos tropeiros.

Vaca Atolada

A vaca atolada é um prato típico da comida caipira, tem como principais ingredientes costela bovina e mandioca, muito popular em Minas Gerais e outras regiões do Brasil.

Tropeiros valeparaibanos carregavam no embornal carne mergulhada na gordura, o que garantia alimento por um bom tempo, sem deteriorar. Ao longo das trilhas colhiam mandioca, assim podendo misturá-las e cozinhar junto com as carnes, uma comida forte e boa para dias mais frios da serra.

Ao se dirigirem às Minas Gerais, transpondo a Serra da Mantiqueira por terrenos íngremes, frios, irregulares, úmidos e principalmente nos períodos de chuva, o que tornava o solo alagadiço, o gado encalhava e não prosseguia, havia então o momento de remanejamento dos animais, o descanso da tropa e sua alimentação. Assim sendo, foi batizado esse alimento como vaca atolada.

No entanto, a receita de vaca atolada é tradicionalemte feita com costelas de boi, uma carne que não era aproveitada para compor a comida dos viajantes, e nem servia para fazer o charque ou carne seca. Mas provavelmente é que seja uma comida preparada após o abate do gado, cozinhando as costelas e sua gordura com pedaços de aipim e cebolas.

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