Culinária do Paraná

Postado por Nailil em 16 julho, 2008

Embora os principais pratos da cozinha paranaense sejam originários da interação entre portugueses e indígenas, esta possui influência posterior de imigrantes franceses, alemães, italianos, ucranianos, polonesês, austríacos, árabes, sírio-libaneses e japoneses. No século XVII, portugueses e paulistas começaram a ocupar a região à partir da descoberta do ouro em Minas e permaneceu até o século XIX com sua economia baseada na pecuária.

Carne

Como a pecuária foi por muitos anos a base da economia, há muitos pratos tradicionais preparados com carne. O “porco no tacho”, a “costela ao fogo de chão”, a “costela do ferra mula”, o mais famoso de todos, o “carneiro no buraco” , e um bem típico das cidades do interior que é o “cachorro quente prensado”. O costume de cozinhar a carne no buraco era um método muito utilizado pelos índios da região de Campo Mourão, como forma de evitar queimadas e conservar a carne por mais tempo. É servido com pirão, arroz branco e salada.

O Barreado

Já preparado pelos índios carijós que fabricavam a panela de barro, o barreado tornou-se um prato típico paranaense, em especial da culinária litorânea. Os cablocos e mestiços ao irem almoçar na casa de seus patrões, levavam produtos da lavoura e tapiocas e lhes era servido uma espécie de guisado. Era um prato feito de carne bovina gorda e toucinho, prepados com muitos temperos durante várias horas em uma panela de barro.

A panela era “barreada”, ou seja, era vedada com uma massa de farinha de mandioca e água e/ou cinzas do fogão para o vapor não escapar. Essa comida podia ser guardada por dias e requentada várias vezes, sem perder o sabor e ficando cada vez mais gostosa. Assim, o prato passou a participar dos hábitos alimentares do Entrudo, o precursor do Carnaval. Durante os dias de carnaval litorâneo não se comia outra coisa que não o barreado. Geralmente é servido com ou sem arroz, farinha de mandioca, banana e como aperitivo, cachaça do litoral.

O segredo na preparação é o tempo de cozimento na panela de barro – cerca de vinte horas – o suficiente para desfiar toda a carne. Depois de cozida, as fibras da carne se soltam resultando em um caldo grosso e saboroso. Para manter o sabor da carne, é preciso vedar a panela com uma massa de farinha e água, um barro preparado para manter o vapor dentro da panela.

Tradicionalmente o prato é acompanhado de frutas: bananas (com banana o gosto se completa) e laranjas. A cachaça de banana pode ser servida como aperitivo. Como entrada ao prato principal, pode ser servido o bolinho de barreado (bolinho frito recheado com banana amassada e a carne do barreado).

Os locais tradicionais do Estado do Paraná onde encontra-se com facilidade o barreado são as cidades de Morretes, Antonina e Paranaguá.

O Barreado servido nos restaurantes de Morretes é servido por pessoa.

Kutiá

Prato típico da colonização ucraniana. É um dos 12 pratos que integra a ceia de Natal ucraniana, onde cada prato simboliza um apóstolo, sendo que o kutiá é um dos principais deles. Cada ingrediente que integra o kutiá é simbólico. O kutiá é servido antes dos outros alimentos como entrada.

Pinhão

O pinhão é o fruto da araucária, árvore símbolo do Paraná. Tem alto valor nutritivo e pode ser saboreado de várias maneiras. É saboroso com açúcar, melado, mel, sal ou simplesmente cozido em água.

Soja

O Paraná é um dos maiores produtores de soja do Brasil. Contribui com cerca de 90% para a fabricação de óleo de cozinha.

Boi no Rolete

Consiste no preparo do boi praticamente inteiro, que espetado e colocado em fornos preparados para isso, ficam assando por mais de 12 horas. É muito saboroso. Atualmente no município de Altônia – PR, acontece anualmente a Festa do Boi no rolete, realizada pelo Lar Beneficente São Francisco de Assis.

O Charque

Charque Acebolado

O charque é uma carne salgada que tornou-se no século XIX o principal produto da economia do Rio Grande do Sul. Pela ausência de tecnologias de refrigeração da carne à época, o animal vacum abatido para retirada do couro, de bom valor de mercado, não tinha sua carne aproveitada adequadamente.

O charque também está presente na culinária paranaense, sendo trazida pelos tropeiros. Em 1870, a Estrada das Missões estava aberta ao tráfego e, apesar de mais perigosa devido ao ataque de índios, foi a preferida pelos tropeiros, porque encurtava o trajeto até Sorocaba, passando por Guarapuava e seus antigos distritos de Palmas, Pinhão, Candói e outros. Além disso, o terreno era mais seco, com grandes extensões de campos e menos rios correntosos que teriam que ser atravessados a nado.

Aumentando o tropeirismo, quase todos os fazendeiros guarapuavanos tornaram-se tropeiros, abastados comerciantes de gado vacum, muar e cavalar, transformando suas fazendas em invernadas. No final do século XIX, o tropeirismo tornou-se antieconômico em consequência do transporte do gado por linhas férreas e veículos motorizados. Mas o tropeirismo guarapuavano, com animais criados na região, continuou até 1930.

Caracteristicas:
A carne é salgada e exposta em galpões ventilados . Além de não ser exposta ao sol, difere da carne de sol ou jabá pela grande quantidade de sal que necessita , em virtude do clima úmido das regiões produtoras. Ainda difere do frescal, produzido na região da cidade catarinense de Lages e São Joaquim, mais elaborado, pois a carne salgada só é exposta à noite.

O charque passa por um processo demorado. O boi todo é desossado e a carne fica em torno de dez dias de molho no sal grosso, e quase uma semana no sereno, costume herdado dos tropeiros. O charque também tem como variante a carne-seca produzida no nordeste brasileiro, a diferença está no modo de preparo e quantidade de sal necessária conforme a umidade da região.

Festa Nacional do Charque:
Anualmente, o município de Candói revive as tradições de seus antepassados durante a Festa Nacional do Charque. O evento acontence desde 1998, sempre com o objetivo de resgatar a tradição e o tropeirismo existente na região.

A Cavalgada é um dos atrativos que antecede a festa. Cavaleiros vindos de várias regiões percorrem o interior do município de Candói, não deixando morrer a tradição deixada pelos colonizadores.

Além da Cavalgada, que é um dos atravivos da festa, são servidos mais de 15 pratos típicos a base de charque, entre eles charque na maçã, arroz carreteiro, filé à parmegiana de charque, churrasco de charque, bolinho de charque, charque na moranga, charque tipo frescal e consomê de charque.

Carneiro ao Molho de Vinho

Carneiro ao Molho de Vinho é uma iguaria da cozinha paranaense e prato típico de Peabiru – PR, servido anualmente na Festa do Carneiro ao Vinho, no 3º domingo de agosto, ao lado da Igreja Matriz.

Este prato é uma iguaria paranaense de origem árabe que começou a ser servida no final da década de 1940, quando se intensificou a chegada de imigrantes libaneses ao município, vindos, em sua maioria, da cidade histórica de Kamed El-Loz, localizada no Vale do Beqaa, onde a principal atividade era a ovinocultura. Há, todavia, duas outras versões que associam a história do prato ora aos tropeiros, ora até mesmo aos jesuítas, embora não haja nenhum registro histórico nesse sentido.

Trata-se de um ensopado, à base de carne de carneiro temperada com tomate, cebola, batata, azeite de oliva, vinho branco seco, sal, alho, salsinha, cebolinha e pimenta-do-reino.

Em Peabiru, o ensopado de carneiro era servido inicialmente entre patrícios árabes em festas de casamento ou ao término do Ramadã. Todavia, em virtude da significativa diminuição da comunidade libanesa no município nos anos 1980, o delicioso prato foi sendo esquecido com o passar do tempo.

Posteriormente, o pioneiro de origem ucraniana Wenceslau Macowski começou a prepará-lo e a servi-lo a um grupo de amigos em sua propriedade rural. Finalmente, em 1993, uma comissão escolheu a receita como prato típico do município, dando início, assim, à Festa do Carneiro ao Molho de Vinho.

Realizada anualmente no 3º domingo de agosto pela Prefeitura Municipal de Peabiru com o apoio das diversas entidades, a Festa do Carneiro ao Vinho atrai a cada ano um número maior de visitantes ao pátio da Igreja Matriz, onde o carneiro é servido.

O Carneiro ao Vinho é saboreado um mês depois do Carneiro no Buraco, prato típico de Campo Mourão, município vizinho de Peabiru. Há, assim, uma divertida rivalidade etnocêntrica entre os moradores das duas cidades para saber qual dos dois pratos característicos da gastronomia paranaense é o mais saboroso.

Monumento:
Em 2008 foi inaugurado um monumento que retrata o mascote da Festa do Carneiro ao Vinho e que permanece em frente à estação rodoviária da cidade. Com 4 metros de altura, a estátua representa um carneiro mestre-cuca, dentro de uma taça de vinho tinto (embora a receita oficial seja preparada com vinho branco seco).

A obra é do artista plástico cearense Gilberto Gomes Moura, de Apucarana, que também é o autor do monumento do Carneiro no Buraco de Campo Mourão, das uvas no trevo de Marialva, do boné de Apucarana e de outras esculturas no Parque do Beto Carrero World.

O monumento, confeccionado em concreto sobre uma base de tela de arame, reverencia o folclore peabiruense.

Carneiro no Buraco

Carneiro no buraco é um prato típico de Campo Mourão, tendo sido inspirado em um filme exibido no início da década de 1960, onde vaqueiros preparavam carne dentro de buracos em cima de brasas.

O carneiro é preparado em um tacho de ferro colocado em um buraco no chão, onde fica em processo de cozimento por cerca de seis horas. Além da carne, o prato leva ingredientes como tomate, cebola, batatas, maçã vermelha, pimentão, cenoura, chuchu, mandioca, vagem, abobrinha, entre outros. O processo todo de preparo dura cerca de 12 horas.

A forma inusitada de preparo da comida chamou a atenção de um grupo de pioneiros da cidade que resolveu fazer o prato introduzindo uma série de inovações. Da primeira receita utilizada à atual, foram realizadas muitas experiências e adaptações para aprimorar a iguaria, que ao longo de muitos anos foi servida esporadicamente em encontros de amigos.

Então em 1991 foi realizada a primeira Festa Nacional do Carneiro do Buraco. A festa crescia a cada ano que se passava, tomou grandes proporções e hoje é conhecida nacional e internacionalmente. Recebe, por ano, cerca de 150 mil visitantes que apreciam o prato símbolo de Campo Mourão.

Leitão Maturado

Leitão maturado é um prato brasileiro, típico do Paraná. A receita culinária do leitão maturado foi registrada no Cartório de Títulos e Documentos da cidade de Goioerê, em nome da prefeitura municipal. A cidade fica no centro-oeste do estado.

Paçoca

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Pierogi

Pierogi é um tipo de pastel cozido originário da Polônia. Tem a forma de um ravióli, mas é maior, e é feito com farinha, ovos, recheado com ricota, batatas, ou repolho, em natura ou azedo (chucrute) e carne. O pierogi pode ser servido com molhos e nata.

A palavra pierogi significa pastel em polonês. Na Rússia e na maior parte da Ucrânia, sobretudo a leste, é conhecido como “varênike”. No oeste da Ucrânia, no entanto, chamam-no perohê, que é um termo cognato de pierogi.

O pierogi é bastante conhecido em regiões do Sul do Brasil colonizadas por imigrantes poloneses e ucranianos do oeste (rutenos), sobretudo no Paraná, onde pode ser encontrado na mesa dos milhares de descendentes de eslavos, em restaurantes típicos, e mesmo em barracas nas feiras de rua de Curitiba e em em diversos municípios do Paraná: Prudentópolis, Araucária, Contenda,Lapa, Ariranha do Ivaí, Mallet, São João do Triunfo, São Mateus do Sul, União da Vitória, Rio Azul, Rio Negro, Tijucas do Sul, entre outros.

Porco no Rolete

Porco no rolete é uma comida tipica regional da cidade brasileira de Toledo, no estado do Paraná. No mês de agosto é realizada na cidade uma festa, onde são assados vários porcos.

Quirera com Suã

Quirera com suã é um prato típico do interior paranaense, notadamente na região dos Campos de Ponta Grossa.

Consiste de papa de quirera de milho (canjiquinha), cozida com carne de porco (especialmente o suã), temperada com cheiro-verde e manjerona.

É muito saboroso, e sua origem é atribuída aos tropeiros que passavam pela região, conduzindo as tropas desde o Rio Grande do Sul até Sorocaba e Minas Gerais.

É comida de viajante, pois podia ser feita em acampamento, de maneira fácil e rápida, e a carne de porco era geralmente defumada ou salgada. Por ser um prato quente, ajudava a enfrentar as frias noites de inverno nos Campos Gerais do Paraná.

Nos dias de hoje é muito apreciada no inverno, acompanhada de uma salada de folhas verdes (alface, rúcula, almeirão ou agrião), e de vinho tinto.

Alguns, por preconceito ou desconhecimento, não consideram ser a quirera um prato típico da região. É que, sendo os ingredientes muito baratos, sempre foi considerada “comida de pobre”. No entanto, já existem bons restaurantes na região a oferecê-la como atrativo gastronômico.

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Uma Resposta para “Culinária do Paraná”

  1. Adorei a reportagem ,pois sou paranaense com muito orgulho,atualmente moro em Sampa, mais amo a tradição do sul, e a Qurera com suã minha mãe faza muito e é deliciosa, tambem a paçoca de carne suina um delicia meu avô fazia pra nós seus netos hoje eu faço em casa claro improviso, nada como o gostinho de infância, bjs Maria Ângela.

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